SALVE MARIA.

A Descoberta do Outro

Mais Imagens

A Descoberta do Outro
R$38,00

Disponível: Em estoque

Foi aos dezesseis anos que eu li pela primeira vez A Descoberta do Outro. Abri-o como quem abre um testamento, tão grande era a presença do autor em minha vida. Em casa o chamávamos Vovô Corção, pois de fato ele fora um pai para o meu próprio pai. O pensamento e a obra de Gustavo Corção tornaram-se como uma herança espiritual que recebi enquanto crescia, e que assumi na Permanência.

Dom Lourenço Fleichman OSB
Descrição

Detalhes

E a grande descoberta de Corção são os três sensos que refazem essa homogeneidade da nossa natureza, permitindo-nos ter novamente contato com os objetos que estão fora de nós. Estamos no limiar de uma nova vida. Vivíamos como os homens do mito da caverna, envoltos em opiniões nebulosas e em ilusões sem fim. A luz do objeto nos liberta desse mal, e nos abre novos horizontes de uma beleza infinita. Mas o caminho ainda é longo até estarmos diante do Outro. Uma vez libertados de nós mesmos, seria um desperdício, uma inutilidade, usarmos das prerrogativas de uma inteligência conhecedora do seu objeto, da verdade de cada coisa, apenas para saborearmos as coisas deste mundo. Se é verdade que as coisas são o que são, não encontraremos repouso para nossa sede de saber enquanto não conhecermos o incognoscível, enquanto não contemplarmos face a face o Criador de todas as coisas. Depois de passar a vertente da montanha, Gustavo Corção nos conduz pelas escarpadas franjas que o levaram à conversão. Aqui também o autor é exigente com seu leitor, toma-o pelo braço, e fala a ele como a um amigo; fala sobre a fé, a esperança e a caridade. Cada uma das três virtudes teologais terá seu papel na transformação da alma que descobriu, no meio da vida, o objeto do seu saber, a força do seu olhar, e o verdadeiro amor de união contemplativa. Como que invertendo a simplicidade das histórias do início do livro, Corção nos apresenta a grandeza das histórias de um reino sublime, onde toda uma vida acontece, longe daqui, em outra vida, em outro mundo, mais real e mais sólido do que o nosso, por ser eterno e imperecível, e onde sabemos que nos foi preparado um lugar. Estamos sendo esperados, ansiosamente aguardados para o banquete sagrado. Hoje sabemos que é verdade, hoje queremos que ele chegue. São estas lições que Gustavo Corção conta em seu primeiro livro; elas estão presentes em toda a sua obra. Nesse aspecto, A Descoberta do Outro é um livro único, essencial. Muito podemos dizer sobre a obra magistral deixada por Corção nos dez últimos anos de sua vida, quando escreveu as 1200 páginas da mais lúcida análise da sociedade humana, contida em Dois Amores Duas Cidades[2] e em O Século do Nada[3]. Por seu sentido político e civilizacional estes dois livros abrangem temas da mais alta importância. Porém, em seu primeiro livro, Corção realiza dentro de nós a necessária restauração que nos permitirá compreender todo o resto. E então, leitor? pergunta Corção em certo momento do livro. E então, leitor? pergunto eu. Com que olhar você abrirá as páginas dessa descoberta? --- [2] Agir Editora, 1967. Assinalo que o próprio Corção não admitiria uma simples reedição desse livro, pois descobriu, ao escrevê-lo, que havia algo de muito errado na sua consideração sobre a política dos povos. Corção escreveu O Século do Nada para explicar essa descoberta. Portanto, só podemos entender o primeiro se lermos junto o segundo. [3] Editora Record, 1973.
Informação Adicional

Informação Adicional

Editora Vide Editoral
Autor Gustavo Corção
Comentários

Tags do Produto

Use espaços para separar as tags. E aspas simples (') para frases.